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Diretor da ANDES é homenageado com o Título de Cidadão Honorário de Cascavel (PR)

O Diretor Nacional de Assuntos Jurídicos e Prerrogativas da Associação Nacional de Desembargadores-ANDES, Desembargador José Laurindo de Souza Netto (TJPR), foi homenageado, na última sexta-feira, dia 20/03, com o Título de Cidadão Honorário de Cascavel, município no Paraná. A solenidade de condecoração aconteceu na Universidade de Cascavel (Univel), onde leciona o Magistrado, que foi Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR).

O ato foi realizado sob a coordenação do Presidente da Câmara, Tiago Almeida, e prestigiado por diversas outras autoridades dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, além de representantes da OAB local.

A homenagem ao Desembargador José Laurindo foi proposta e aprovada por conta de sua longa folha de serviços prestados à Justiça paranaense. Reconhecido anteriormente com a mesma honraria pelas cidades de Londrina, Maringá, Apucarana, Foz do Iguaçu, Pontal do Paraná, Campo Mourão, Palmas, Dois Vizinhos, Santa Tereza do Oeste, Paranavaí e Arapongas, ele também foi agraciado recentemente com a medalha comemorativa pelos 20 anos de fundação da ANDES.

Paranaense de Curitiba, formou-se em Direito pela PUC-PR em 1982 e ingressou na Magistratura sete anos mais tarde, via concurso, e desde 2010 ocupa o cargo de Desembargador do TJPR. Doutor em Direito pela UFPR e Pós-doutor pela Universidade de Roma, também é membro da Academia Paranaense de Letras Jurídicas e professor universitário.

Sua gestão à frente do TJPR destacou-se pela preocupação social. Foi ele, por exemplo, o responsável pela implementação do programa “Moradia Legal”, em 2020, cuja finalidade é garantir dignidade, inclusão social e segurança jurídica à população paranaense através de processos objetivos e céleres no tocante à regularização fundiária. Foi ele, também, o grande incentivador da criação de diversos Centros Judiciários de Solução de Conflitos no Estado.

Ao receber o Título de Cidadão Honorário de Cascavel, o Desembargador José Laurindo disse que ao longo de sua trajetória foi compreendendo que “aquilo que realmente permanece na vida não é apenas o que construímos no piano profissional. O que permanece, de fato, são as relações humanas que conseguimos cultivar. E foi isso que eu encontrei em Cascavel: a possibilidade de construir relações verdadeiras e respeitosas, não apenas no aspecto profissional, mas, também, no aspecto pessoal. Tenho por Cascavel um carinho especial justamente por isso”.

 

Discurso do Desembargador

 

 

“Senhor Prefeito Renato Silva,

Senhor Vereador, Presidente da Câmara Municipal Tiago Almeida,

demais autoridades, senhoras e senhores,

Recebo esta homenagem com gratidão sincera e com emoção.

Em momentos como este, penso que a melhor forma de falar é a mais simples: agradecer.

Agradecer à cidade de Cascavel, agradecer às pessoas que me acolheram, agradecer pela generosidade deste reconhecimento. E, acima de tudo, agradecer por aquilo que esta homenagem representa, que é muito mais do que um título. Ela traduz vínculo, memória, convivência e afeto.

Ao longo da minha trajetória, fui compreendendo que aquilo que realmente permanece na vida não é apenas o que construímos no plano profissional. O que permanece, de fato, são as relações humanas que conseguimos cultivar. E foi isso que eu encontrei em Cascavel: a possibilidade de construir relações verdadeiras, respeitosas e construtivas, não apenas no aspecto profissional, mas também no aspecto pessoal.

Tenho por Cascavel um carinho especial justamente por isso.

Aqui, fiz amigos.

Fiz amigos entre alunos, entre colegas, entre pessoas com quem convivi e aprendi.

E digo isso com a consciência de que essa proximidade exige maturidade, exige postura, exige equilíbrio. Mas talvez tenha sido exatamente essa disposição para o relacionamento humano, essa tentativa de sempre estabelecer uma convivência mais horizontal, mais próxima, mais genuína, que tenha permitido que eu me sentisse tão bem nesta cidade — e, quem sabe, que esta cidade também me recebesse tão bem.

Sempre acreditei que a formação, o conhecimento técnico, a preparação intelectual, tudo isso é fundamental. É claro que é. Mas também sempre acreditei que isso, sozinho, não basta.

Nenhuma formação é suficiente se ela não vier acompanhada da capacidade de ouvir, de respeitar, de dialogar, de construir junto. Hoje se fala muito em hard skills e soft skills. E eu penso que a vida, especialmente a vida em comunidade, confirma isso todos os dias: o saber é essencial, mas as habilidades de relacionamento são aquilo que transforma conhecimento em encontro, e encontro em construção comum.

Construir junto. Talvez essa seja uma das expressões mais importantes para mim.

Porque construir junto é produzir algo que beneficie a todos. É pensar numa comunidade, numa sociedade, num espaço humano formado por pessoas concretas, com alma, história, sensibilidade e expectativas. Há, nisso, algo muito próximo da ideia de ubuntu: nós nos realizamos também uns pelos outros. E, quando conseguimos nos relacionar com respeito e autenticidade, criamos não apenas contatos passageiros, mas laços que permanecem.

Cascavel, para mim, sempre representou muito dessa energia de construção. É uma cidade forte, dinâmica, exigente, trabalhadora. Uma cidade que, num primeiro momento, pode até parecer mais reservada, mais cautelosa, mais rigorosa. Mas que, logo depois, quando conhece, acolhe. Quando reconhece sinceridade, constrói vínculos sólidos. E isso é algo muito bonito.

Vejo em Cascavel uma sociedade profundamente vinculada ao trabalho, à terra e à produção. Uma cidade cuja identidade foi sendo formada pela disciplina do esforço, pela coragem de quem desbrava e pela seriedade de quem compreende que o desenvolvimento não nasce do acaso, mas da constância.

Há, em Cascavel, uma relação muito própria com a terra: não apenas como espaço físico, mas como origem de riqueza, de dignidade e de pertencimento. A terra, aqui, não é apenas paisagem. É vocação, é fundamento, é compromisso com o futuro.

Essa marca se revela na força do agro, na pujança da agroindústria, na vitalidade do comércio e na capacidade de transformação que caracteriza a cidade.

O cascavelense, a meu ver, traz consigo esse traço de firmeza de quem sabe o valor do trabalho concreto, de quem entende que prosperidade se constrói com perseverança, com visão e com responsabilidade.

É uma gente que produz, que empreende, que enfrenta desafios sem perder o senso de realidade; gente que conserva uma ligação muito nítida com suas raízes e, ao mesmo tempo, mantém os olhos voltados para adiante.

Talvez eu tenha me identificado tanto com Cascavel justamente por reconhecer aqui esse espírito de construção.

Essa disposição para fazer, para colaborar, para transformar e para seguir em frente. Há nessa cidade uma energia própria, feita de seriedade, dinamismo e confiança no trabalho bem realizado.

Hoje, ao receber esta homenagem, quero registrar também minha gratidão às muitas pessoas com quem convivi em Cascavel. Não vou citar nomes, porque correria o risco de ser injusto com alguém, e eu não gostaria disso. Mas levo comigo a lembrança de muitos rostos, de muitas conversas, de muitos momentos. E levo, sobretudo, a alegria de saber que vários desses vínculos permanecem vivos até hoje.

Quero agradecer ao Senhor Prefeito Renato Silva, pela presença e pela relevância institucional deste momento, e ao Senhor Vereador Tiago Almeida, pela proposição desta honraria e pela gentileza deste gesto. Recebo este título com humildade e com sincero senso de responsabilidade.”